segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

SOBRE MÃE E FILHA: SAFIRA E ANA. (PARTE 1)


Safira é mãe de Ana...não sei se vão querer ler porque é longa a história, talvez eu divida em partes, verei no decorrer como irá se desenrolar.

Safira e Jorge queriam abortar Ana pois estavam namorando e era complicado, na época ficar grávida, antes de se casar ou por outros motivos mas como Safira corria risco de vida por estar de 5 meses; deixaram e se casaram as pressas.

O casamento foi desde o começo péssimo pois o Jorge era mulherengo e começaram as brigas.

A única filha, Ana, fora deixada com sua avó materna desde bebê o qual foi criada com muito amor e mimos.

Quando Ana estava com quase 4 anos sua mãe levou para morar com ela...só soube que sua avó sofreu muito com o rompimento físico mas emocionalmente, sempre foram muito próximas.

Ana foi morar numa casa enorme, considerada uma mansão antiga...tipo aqueles casarões do bairro higienópolis, onde a maioria foi destruído para dar lugar a prédios enormes.

Haviam escritórios na frente e quartos alugados a pessoas de baixa renda, nos fundos.

Uma perfeira desordem, onde não havia distinção entre escritório e residência: pessoas que trabalhavam no local faziam parte da casa, família, almoço, janta e até dormiam por algum tempo...não havia horário para nada...não havia qualquer definição que se enquadrasse nesse mundo criado por Safira e Jorge.

A casa era dos avós paternos e quando esses morreram: as primas entravam e saiam, sem morar lá, recebendo aluguel dos inquilinos dos fundos, dizendo serem donas da casa, também.
O irmão do Jorge morava junto com eles.

(Explicando: a casa dos pais que morreram, sobraram 3 filhos, um morreu mas ficaram as filhas e Jorge e seu irmão continuaram morando e trabalhando dentro da casa pois eram advogados e Jorge ainda tinha outro ramo de negócios.)

Agora, vamos voltar a Ana...imaginem uma criança com 4 anos assistindo brigas direto de seus pais, um jogando na cara do outro sobre que cada um tinha um amante?

Escutando discussões calorosas, onde as palavras eram de mais baixo calão possíveis?

Até essa fase o que Ana se lembra:

- de uma festa de aniversários de 1 ano onde havia brinquedos que se moviam em cima do bolo mas não podia mexer e foi descobrir que a festa era sua pelas fotos que viu, quando já era adulta...depois dizem que criança não se lembra de nada.

- Sentia vontade de voltar para casa da avó, onde se sentia amada.

- Lembra da sala enorme de sua casa escura, com a claridade da luz da cozinha que refletia e sua mãe deitada, ouvindo músicas tristes e ela sentindo um vázio, sem saber o que fazer.

- Uma das vezes que sua mãe estava doente e nunca sabia o que era ou porquê...ficou sentada ao seu lado, talvez brincando, não lembra se a tv estava ligada...mas lembra que sua mãe pegou sua mão e mordeu seu dedinho com tanta força...e gritava de dor e para parar mas não parava...pois o dente de sua mãe havia entrado no cantinho da unha, furado e saiu sangue...saiu correndo mas não lembra para onde, na casa...só sabia que estava doendo e desde esse dia nunca mais ficou perto de sua mãe por qualquer motivo de doença...talvez houve um bloqueio...não sei.

- Ana era peralta, no sentido de subir em muros, guarda-roupas, correr, brincar na rua, andar de bicleta...coisas normais mas era amorosa e quando amava alguém gostava de apertar muito, morder, beijar mas ás vezes, sem querer, acabava machucando.

- E, sua mãe era muito bonita, magrinha, loira, super vaidosa, se vestia muito bem e virou rica emergente (aquela pessoa que sempre foi pobre, miserável e casa com um homem bem de vida e não sabe lidar com isso e começa se achar melhor do que todos e humilhar as pessoas, comprar jóias, roupas mas a pobreza continua dentro dela e continua com mal gosto pra tudo)...fica um pouco pirua.

- Então, naquela mesma sala enorme, perto da entrada, havia um "console" (era muito usado e chique), onde ela colocava seu pente de cabelo e tirava os bobs do cabelos para ficarem caracolados. Ana viu a mãe em sua rotina, veio em sua direção e a abraçou o mais forte que podia e Safira a desgrudou, empurrou e disse: - sai daqui, menina, fica me apertando! (ou algo parecido). Depois, desse dia, Ana ficou tão "sem graça" e tão magoada que nunca mais abraçou sua mãe, até estar bem adulta e o abraço não fazer mais a menor diferença ou sentimento.

- Ana tinha um potencial para dança incrível, o que olhava aprendia, todos a admiravam menos seus pais. Não se lembra de ter ouvido nenhum tipo de elogio, só que era bonita.

- Uma coisa que era muito boa, era quando passava férias com sua avó, na Praia Grande-SP...chegou a pegar até insolação...sua avó era a pessoa que mais lhe deu amor e quem ela mais amava.

- Tinha uma melhor amiga que ficávamos juntas direto mas sua mãe desfazia dela a chamando de manqueta, desfazendo porque não tinha uma das mãos. Ana jamais contou isso a sua amiga mas se doia por amar muito sua amizade de infância.

- Eles tínham uma passadeira, uma cozinheira, uma empregada fixa (que ficou como que da família) e outra secundária...muita coisa né?

- Jorge, sempre, ausente sobre tudo...uma mãe neurótica que tudo brigava, implicava com tudo que Ana fazia: você anda como uma sapatona, você é uma ridícula, uma inútil, um monte de merda ou esterco, não presta para nada, uma desgraçada, uma retardada, etc...

- Sua avó falava para Ana que não entendia sua própria filha falar essas coisas e terem dinheiro e não ajudarem a Ana mas que era para ela seguir sempre em frente, seguindo sua vida sem olhar para que seus pais falassem porque eles não eram muito bom da cabeça. Que sua filha, Safira, precisava de tratamento pois fazia e falava umas coisas que não eram normais.

Finalmente, colocaram Ana para estudar num dos melhores colégios de São Paulo, de freiras. Tudo muito rígido e disciplinado.

Pensem comigo: uma criança sem noção do papel de marido, pai, esposa, mãe, família, uma casa básica, uma família onde existem papéis definidos, mesmo e óbvio que não perfeitos, sem a menos ordem, disciplina, horários, regras, limites...nada de nada...e vai estudar num colégio de freiras?

Ana escolheu o mundo do colégio para ela porque era mais bonito. A casa de suas amigas eram diferentes. Mas não era perfeito os relacionamentos com suas colegas e professoras.

Então, começou a se fechar em seu mundo que não era o mesmo que seus pais viviam. Criou fantasias para fugir da realidade e fazer fulga para essas fantasias para se proteger das ofensas de sua mãe que tudo era motivo para implicância e quando ficava respondendo, perdia a razão porque sua mãe usava isso para mostrar o quanto Ana era respondona e mal educada com sua mãe. Ficava aquele jogo de tênis de palavras sórdidas intermináveis.

Até que aconselharam Ana a ficar quieta e se controlar porque ela iria ficar falando sozinha e quem sabe iria ter que parar porque iria se cansar ou todos iriam ver que a culpada não era ela.

Só funcionou no sentido de verem de quem era a culpa mas não mudou muita coisa pois quem tinha dinheiro era Safira e não sua filha...tem muita gente interesseira que jogava dos dois lados com falsidade para ficar bem com as duas.

Tenho algumas provas de o quanto eram pais negligentes:
Ana tem os dedos da mão direita tortos (só dá pra notar se ela mostrar) porque perto do Natal, foi abrir a porta e sair correndo e seus dedos ficaram presos na massaneta e quando puxou, deve ter quebrado ou algo parecido porque a dor que Ana sentiu foi tão grande que chorava sem parar...todos falavam que não era nada...até um tio que veio visitá-los, ficou puxando seus dedos e disse que não era nada...Só sei que Ana passou o Natal com a mão inchada e preta e foram incapazes de a levarem num pronto socorro tirar um rx e Ana levará para sempre a marca da falta de amor de seus pais em sua mão direita.

Com 7 anos, tinha todos os dentes do fundo podres e já não eram mais de leite. Teve que fazer o primeiro canal com 7 anos com uma dentista que fez pela metade, mal tampou e viajou.

Só com 14 ou 15 anos, é que foi procurar um dentista sozinha que tratou de todos os seus dentes e aquele dos 7 anos, teve que tirar porque já estava com cisto na raiz.

Fora que tinha os dentes para fora e todos encavalados, numa época em que aparelho de dentes era caríssimo. E, com muita insistência conseguiu colocá-lo porque sua mãe vivia falando que um dia ía dar um murro nos seus dentes que ía consertá-los todos de uma vez só.

E, Ana, morria de complexo, tinha que sorrir, colocando a mão sobre sua boca para não mostrar seus dentes horríveis.

Ana sendo comparada com a contrução de um edifício:

- precisa de um engenheiro, limpar o terreno, cavar o mesmo tanto que vai se erguer acima da terra porque sem toda essa estrutura e alicerce além da qualidade do material utilizado; o edifício vai ir se rachando até desabar.

Assim deveria ser uma criança no meio de um ambiente onde esta se desenvolvendo:

- Ana não teve o pai presente, se colocando como autoridade de pai e muito menos dando amor. Teve uma mãe doente mental que descarregou tudo em cima dela: frustrações, desencantos, etc.

Achou nas novelas, nos filmes bases para entender o que era uma família, uma casa que considerava normal, como deveriam ser os pais e que estava muito longe do que ela tinha.

Mas sobreviveu, procurou ajuda de psicólogos desde os 14 anos, sozinha. Quebrou muito a cara, caiu, escorregou, chorou muito, passou por muitas coisas por não se dar valor e nem saber que tinha. Sempre teve humildade para pedir socorro mas muitas pessoas que achava que iria ajudá-la, foram as que mais acabaram com sua vida mas superou isso e muito mais coisas que depois vou contar e hoje é uma vencedora porque por mais coisas ruins que aconteceram tem o dom dado por Deus de amar e perdoar quem passa pelo seu caminho...
Parabéns Ana...

3 comentários:

  1. oi katia..
    puxa, é a primeira vez que visito esse seu blog, geralmente vou no filhadaluuz...
    achei incrivel essa historia, e me identifiquei um pouco, pelas brigas dos pais... os meus se separaram da piior maneira possivel... mas sempre tive amor e carinho dos dois, e tb tenho dois irmaos chatos, mas legais... rss!
    gostei muito daqui... vou dar uma olhada em suas outras postagens agora... rss...
    bjoos'
    PS: quando postar a continuaçao, me avisa??

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  2. Ah, a proposito... sua gatinha, a Dara, é linda...

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  3. hmmm... lendo denovo a historia, começo a desconfiar... seria vc a ana?? *o* nem me pergunte como descobri, mas tenho quase certeza. esse é o tipo de intuiçao que nao falha nunca...
    bjoos'

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Se vc já entrou aqui e me deu seu tempo; agradeço. Se deixou uma mensagem; me deixou alegre. Deus o abençoe...bjs.