sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

SOBRE MÃE E FILHA: SAFIRA E ANA. (PARTE 2)


Estou escrevendo em homenagem a Evinha que me cobrou a continuação. Tem histórias que são difíceis de escrever mas tudo tem um propósito, então...vamos lá.:


Continuando por algumas coisas que foram esquecidas desde antes de seu nascimento até antes de namorar a primeira vez, com 14 anos:


- Achei algo muito interessante que Ana fez, aos 5 anos...sua mãe contou a ela que seu pai estava tendo uma amante e ela esperou seu pai chegar...pediu que queria conversar em particular no escritório, fechou a porta e como um flash, pode visualizar todo aquele momento.

Seu pai com cara de riso (acho que por ela ser tão criança, o que poderia falar de tão sério?), sentou-se na cadeira atrás da mesa do escritório de ferro, antiga, esverdeada, com uma borracha verde em cima. E, Ana, na sua frente, sentada num sofá preto, onde os clientes costumavam sentar-se para esperar ser atendidos. E, falou a seu pai com essas palavras:

- Papai, fiquei sabendo que você tem amante e o que eu entendo é que se você tem amante é porque esta faltando algo para você em casa, então eu quero saber o que esta faltando para você, para eu poder ajudar...me fala papai.

Claro que ele negou até o fim e perguntou que havia me falado tamanha besteira...depois discutiu com a Safira, mãe de Ana e ela por fim, brigou com Ana, a ofendendo como sempre.

Que era uma burra, que não era pra falar nada, etc...



Ana não conseguia se concentrar na escola porque ficava ligada nos problemas em casa.

Na primeira série, teve uma professora que a viu até já adulta mas nunca contou o que aconteceu quando deu aula a ela.

A sala era dividida de 2 em 2 mesas ou carteiras, ficava um espaço minúsculo entre as mesinhas. Quando terminava todas as atividades, a professora pedia para que ficássemos com os braços cruzados em cima da mesa, com a cabeça em cima deles, até dar o horário pra ir embora.

Num determinado dia, Ana e a Flávia que eram as melhores alunas, sentavam juntas e alguém passou pelo lado direito de Flávia e a beliscou...Flávia gritou e beliscou a Ana que estava do seu lado direito e claro, que Ana se defendeu, dizendo de como poderia tê-la beliscado do lado direito, se sentava do lado esquerdo e estava com a cabeça deitada nos braços.

Flávia, insuportável, continuou discutindo e Ana chomou a professora que falou não ter nada com isso e para as duas ficarem quietas.



Na saída, Ana ficou sentada debaixou de um arbusto da casa vizinha do Colégio pra se proteger do sol e esperar o ônibus sair para levá-la para casa.

De repente, chegou a mãe da Flávia e suas amigas madames, perguntando para Flávia: - É essa aqui que te beliscou? Agora, você vai ver...



E beliscou o braço da Ana, de 7 anos, a humilhando de todas as maneiras e suas amigas senhoras ajudando, sem darem direito que se defendesse e foram embora a olhando como se tivesse visto alguém desprezível.

O pior de tudo era que Ana não havia feito nada e ainda foi machucada, humilhada por algo que não fez e sem ninguém para defendê-la como sempre.



Tentou não dar o braço a torcer e fingir que não estava sentindo nenhuma dor, nem dentro e nem fora e foi para o ônibus...chegou em casa, foi correndo para seu quarto e chorou muito, sozinha.

Talvez, tenha contado pra a empregada que era a pessoa mais próxima e mesmo, algumas vezes, se desentendendo, era a única que podia contar.

Sua mãe nunca soube de nada e mesmo que soubesse, não iria fazer nada.

A vida se seguiu injustamente, sem nada acontecer e a dor foi só sua...mudou de horário da manhã para tarde e nunca mais viu a Flávia e sua mãe monstruosa mas acredito que Deus viu.


Entre uns 8 ou 9 anos, ganhou uma irmãzinha adotiva e cutia muito mas como se fosse uma boneca para brincar, não tinha muita noção do perigo.


Um dia, foi ensinar a irmãzinha a andar de bicicleta, com pezinhos de rodinhas pra equilibrar melhor...começou a empurrar por trás mas depois, foi fazer a besteira de puxar a bicicleta pela frente e com a puxada, a irmãzinha caiu para trás e começou a chorar.

Ana ficou desesperada e ergueu a irmã, tentando ver onde machucou.

De repente, uma amiga de sua mãe, Sônia, saiu da casa de Ana e falou que eu derrubei a menina, torcendo minha orelha, gritando comigo e me puxando pela orelha até em casa.

Ana brigou e reclamou, contou pra sua mãe todo o ocorrido, esperando que sua mãe a defendesse e Safira não fez nada e ainda falou que Sônia fez bem no que fez.

Pode uma mãe agir dessa maneira?

Isso não pode ser chamada de mãe.

Ana sempre amou sua irmã como se fosse de sangue e foi combinado desde cedo que ninguém contaria que ela havia sido adotada.

Ela só foi descobrir adulta pela diferença nos traços e seu namorado a alertou sobre o fato.

E, sempre o zumzum de sua mãe com vários amantes e seu pai, também. A diferença é que seu pai era discretíssimo enquanto ela queria fazer as coisas dentro de casa, com todos sabendo, principalmente, sua filha sabendo e vendo...quem pensa que criança não percebe nada...é muito burra porque criança é mais esperta do que se pensa.


ANA SOFREU VÁRIOS ABUSOS PSICOLÓGICOS, SEXUAIS, FOI VIOLENTADA EMOCIONALMENTE MAS SOBREVIVEU:


Ana tinha 5 ou 6 anos quando estava viajando com seus pais e um casal de amigos, num daqueles dias, o homem, que Ana não lembrava quantos anos tinha mas não era tão novo, bebeu até não aguentar mais.


A sua namorada, Roseli, o levou de volta para o apto. que estavam e foi fazer café para ele, o Adelmo, enquanto deixou Ana sozinha com ele, na sala. Esse Adelmo estava deitado num sofá preto de couro, nessa sala, enquanto a Ana estava sentada perto dele, na altura de sua cintura esperando o café ficar pronto com receio que ele caísse no chão e ele se aproveitou que a Ana estava de saia e colocou a mão em seu órgão sexual e começou a mexer por dentro da calcinha.
Ana ficou sem saber o que fazer.


Quando Roseli chegou com o café, Ana pediu que cheirasse a mão do Adelmo para ver se desconfiava de alguma coisa porque ele tirou a mão assim que ela chegou da cozinha.
Passado algum tempo, Ana contou tudo a uma senhora que contou a sua mãe mas nada aconteceu e ficou por assim mesmo.

Quando Ana tinha 12 anos, já tinha bastante seios e parecia ter bem mais que sua idade por ser grande pela sua idade. Um rapaz começou a trabalhar com sua mãe pois a mesma tinha um escritório de cobranças e atrás da casa havia quartos que eram alugados. Este rapaz, Edvaldo, tinha 19 anos, e começou a ficar direto na casa que era junto com o escritório e ter amizade com a família.
A mãe de Ana ficava direto com o Edvaldo e até desconfiavam se tinham um caso ou não mas parecia, ao mesmo tempo, que sua mãe empurrava este rapaz para Ana e falava que era o genro dos seus sonhos.
Aí, o Edvaldo começou a seduzir Ana dizendo que também tocava na irmã dele e que certas carícias eram normais. Tocava em seus seios, aos poucos,e isso foi avançando a cada dia; convencendo-a que era normal e que não estava acontecendo nada demais.
Ana ficou confusa porque gostava das sensações mas se sentia culpada porque achava errado, se sentia enojada de si mesma mas não sabia o que fazer.
Nunca havia conversado com sua mãe sobre sexo e sabia pouco sobre o assunto. Isso durou algum tempo ao ponto dele ficar masturbando a Ana e ela chegar ao orgasmo.
Um dia, ele juntou a Ana com a empregada e disse que ía tirar o membro da calça e encostar na porta da vagina da empregada para Ana ver que não tinha nada demais e depois fazer nela. E, encostou.
Ana foi num centro espírita com sua mãe, uma senhora disse que notou algo nela e pediu para sua mãe se retirar. Ana contou tudo a essa senhora que contou a sua mãe.
Sua mãe não falou nada a ela e mandou passar o final de semana com sua avó.
A irmã do Edvaldo perguntou a Ana, se ele tinha machucado ela, e ela se explicou tudo de novo.
A Avó de Ana só perguntou se ele havia entrado dentro dela e Ana disse que não.
Quando Ana chegou em casa, no domingo a noite, estava se sentindo insegura e tinha muito medo de fantasmas porque ouvia e via vultos.
Perguntou a sua mãe se podia dormir no chão do seu quarto e ela não respondia, ignorando. Foi ficando tarde e Ana perguntou de novo porque quando dormia sozinha, quase não dormia ou dormia muito tarde com medo dos barulhos que ouvia e se assustava.
Sua mãe chamou seu pai para ouvir também e começou a falar assim:


- Medo de um pênis você não tem, então porque tem medo de fantasmas? Você não presta, não vale nada. Fez eu perder o meu "filho" que eu tanto amava. Eu vi uma carta (que nunca existiu)em que você escreveu pedindo para ver o Edvaldo transando com a empregada, você seduziu ele. E, outras coisas que ela se esqueceu; horríveis.
Depois de muitas ofensas e humilhações que geraram mil problemas sexuais e traumas psicológicos, numa pré adoscente, deixou que ela dormisse no colchão, no chão do quarto.
O rapaz foi embora com a família. A empregada, depois de muitos anos foi mandada embora de casa.
Demorou muito tempo, para Ana tirar de sua mente que não era suja, que não prestava, que era uma inútil, um monte de merda, imprestável, uma aleijada, etc.
Foram muitos anos de terapia para ela conseguir superar o que aconteceu.
Precisou de anos para contar essas histórias sem ser afetada, sem tremer, de ficar nervosa e se sentir mal e ou chorar.

Quantas pessoas passaram por coisas assim e não sabem o que fazer, se sentem impotentes e ainda não podem contar com seus pais ou alguém para defedê-las?


Obs.: contei essa história sem colocar os palavrões usados ou formas baixas para falar com Ana e dizer o ocorrido da forma mais ofensiva possível pois nem ela mereceu e nem o leitor merece.

Um comentário:

  1. puxa..
    fico me perguntando como a ana foi capaz de aguentar isso tudo... por todo esse tempo... bom, eu no lugar dela teria tomado uma providencia mais cedo, mais entendo: de que adiantaria? com pais como os da ana, que nao se pode contar quando precisa, fica realmente muito dificil de se fazer alguma coisa... e foi por isso que a ana teve que aprender a falar e agir por si mesma, nao é? sei bem como é isso. embora meus motivos sejam mais... normais, se comparados com os da ana, tb ja tive situaçoes estranhas, mas que me fizeram crescer como pessoa e encarar a vida como ela merece.
    tb vejo e escuto vultos, vozes... uma vez estava na cozinha sozinha anoite e a geladeira tremeu tanto q se sacudiu por completo e eu ouvi o barulho de coisas quebrando dentro dela, mas quando abri, ela estava normal... acho que é o tipo de coisa q "acontece" com aqueles que ja passaram por situaçoes como as de ana...
    foi ridiculo aquilo que a flavia e a mae e as amigas da mae fizeram com a ana... mais que gente de mente pequena...!!!
    mas, a ana aprendeu a se defender sozinha. Ja deu pra ver que, pela falta de alguem que a defendesse, que acreditasse nela, ela mesma teve que se defender e acreditar em si mesma. Acho que eu e ana somos muito parecidas...
    embora, eu, no lugar dela teria tomado alguma providencia beeeem mais cedo...
    mais q realmnte importa e que a ana superou td isso, e cresceu, e soube mostrar a todos o quanto estava mudada...
    ;)
    obrigada, katia, por ter colocado o post em minha homenagem... rsrsrsrsrs!
    cuidado pra nao me deixar mal acostumada...
    rss!!
    quando puder, dê os parabens a ana... ela é uma pessoa incrivel e realmente merece td o que conquistou, com o passar do tempo...
    bjoos'

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